segunda-feira, 19 de junho de 2017

PASSEIOS NA COLÔNIA: 1º DIA - SOLEDADE À ARVOREZINHA



 No feriadão de Corpus Christ, em Soledade, depois de um  surpreendente café da manhã e  da benção do frei franciscano Alcídes,  inicia mais uma caminhada do Passeios na Colônia, organizada pelo jornalista Alício de Assunção. Desta  vez,  100 km durante quatro dias...



Somos dezenove turistas. Somos  professoras aposentadas, médica, jornalistas, escritora premiada, pesquisadora biomedica, engenheira, hoteleira, enfermeira, administrador, profi de informática, de turismo do Sesc, advogado...



A maioria de Porto Alegre. Mas tem gente de Gramado, Lajeado, Venâncio Aires... em busca de um caminho, de um dia de sol, de ar puro - ingredientes naturais para recarregar as energias.



 Muito chão até encontrar o rio Espraiado. Contam, uma sucuri já foi descoberta por essas bandas. Quem sou eu para discordar... Tanto contrabando de animais nesse estado.
 Os primeiros cinco quilômetros são tranquilos: 
vaselina nos dedos, tenis beeem usado, protetor solar...
 Que bom! Alguém ainda preserva!
 Pássaro de ferro? Bólido?


As lindas araucárias, sobrevivente do tempo dos dinossauros,
 um deslumbre durante toda nossa caminhada.
 ...porque a vida não é uma linha reta -
é uma espiral, um assombro em cada horizonte.
 Óia! A beleza do Tempo num simples mourão.
De Gramado, Heidi, médica, 77 anos, inspira...
Tão cedo não pensa em largar o bastão de trekking.


Desembarcou no Brasil na década 70, vinda da Alemanha. Gosta de caminhar desde os seis anos, quando seguia sozinha para a escola por uma boa meia hora...
 Casinhas coloridas do interior...
  
"Ué... Da onde saiu essa gente?"

 Varal e cinamomo: tão nosso!
Cores vivas para concorrer com o verde ao redor?
 Tempo de colheita graúda!

Galinhas e cachorros na estrada,
às vezes um terneiro perdido...

Avisam que estamos quase chegando.
A dor muscular a gente suporta bem, 
mas uma bolha incomoda...
 Enfim, vencidos os 20 km da manhã, 
farto almoço na comunidade Pontão da Boa União, 
com o pessoal que dá duro para plantar e colher a soja gaúcha.



Elas curtem morar no Pontão.
Conectadas, não tem pressa de sair para cursar Agronomia, Veterinária e Direito 
em Soledade ou Passo fundo. 
As Geller, irmãs e primas 
- Juliana,14, Helena, 15 e Amanda, 13 -
leem livros no celular e já são catequistas.   
O grupo no uats  “made in roça” 
avisa dos encontros e festas nas comunidades da região.

Agora começam os campeonatos de futebol de salão do interior, 
agora começam as paqueras – se é que existe ainda essa velha gíria 
para o grude olho no olho e um suspiro discreto...


“ Naquele instante

Me convenci

O bom da vida

Vai prosseguir..."



"Vai dar pra lá do céu azul

Onde eu não sei

Lá onde a lei

Seja o amor

E usufruir do bem, do bom e do melhor

Seja comum

Pra qualquer um.."

 assim cantava Gilberto Gil. 


Depois dos oito km, a primeira bolha diz que sou uma peregrina de verdade.
Logo, os conselhos experientes:
passa vaselina, enfaixa os dedos, amarra bem os cadarços,
fura a bolha e deixa um fio de linha...

A primeira a gente nunca esquece!


Voltamos à estrada!
 Para levantar a moral, 
o prof. de Educação Física, Rodrigo e a enfermeira, Katia
alcançam água, bergamotas, barrinha de cereais.

 E lá vamos nós, cada um no seu ritmo,
com a própria sombra ou na parceria...


O que desacomoda as pessoas 
e as leva caminhar uma lonjura
entre desconhecidos?


 Para meu amigo Vico, quero provar que sou estóica...

Para uns, caminhar junto à natureza é uma terapia. 
Para outros, observar a simplicidade e o lado bom do interior resgata a própria alma.

 Caminhar em grupo para desestressar, 
para fazer novas amizades,
... para ver diferentes "janelas" na vida
e  reinventar o olhar.


 ... viver a natureza em silêncio,
... ou para  testar o próprio sedentarismo.
Hora  de abrir uma gelada na "Taipa da Ceva" 


e registrar o final dos 30 km no dia.